Narrativas Comprometidas com a Educação Inclusiva a partir da Voz dos Alunos. Desigualdades, Resistência e Ação Coletiva

Autores

DOI:

https://doi.org/10.4067/S0718-73782025000200017

Palavras-chave:

Educação inclusiva, Voz dos alunos, Desigualdades educativas, Resistência, Ação coletiva

Resumo

O projeto de tornar as escolas inclusivas não surgiu por capricho ou por uma ideia repentina, nem se trata de uma moda passageira. Ele nasceu como resposta ao desejo coletivo de que os sistemas educativos de todo o mundo pudessem acolher todas as crianças, sem exceção, algo que foi abordado na conhecida Conferência Mundial realizada em Jomtien (UNESCO, 1990). Alguns anos depois, a educação inclusiva surgiu na Conferência Mundial de Salamanca como a forma ideal de alcançar esse desejo (UNESCO, 1994). Uma década depois, a educação inclusiva seria considerada um direito humano fundamental (ONU, 2006).
Esses três marcos foram fundamentais, sim. No entanto, o projeto revolucionário de tornar as nossas escolas inclusivas foi-se desvalorizando com o tempo. Hoje fala-se de educação inclusiva para se referir até mesmo a práticas excludentes, distantes daquele desejo. Em muitos lugares, a linguagem é pervertida, distorcida a ponto de roubar o valor humano do projeto. Em outros, chega-se até a proibir o uso de certas palavras que associam a diversidade humana à luta contra a desigualdade. As nossas diferenças tornam-se o alvo a ser derrubado pela agenda ultraconservadora aqui e ali, o que evidencia o seu potencial transformador.

Biografia do Autor

Ignacio Calderón-Almendros, Universidad de Málaga

Professor titular de Teoria da Educação na Universidade de Málaga e investigador visitante na Universidade Ritsumeikan (Japão). A sua investigação, concebida como uma forma de ativismo, pretende desvendar os processos de exclusão que ocorrem nas escolas e promover a educação inclusiva, tudo isto em conjunto com as comunidades educativas. Desenvolveu trabalhos como consultor de organizações e instituições internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) ou a UNESCO, e foi convidado a dar palestras em vários continentes, publicou inúmeros artigos em revistas internacionais e escreveu uma dúzia de livros. As suas investigações receberam reconhecimento de sociedades científicas como a «International Association of Qualitative Inquiry (IAQI)» ou a «American Educational Research Association (AERA)» e de entidades sociais como o «Comité Español de Representantes de Personas con Discapacidad (CERMI)» ou a «Down Syndrome International (DSI)». Entre os livros que escreveu destacam-se «Educación, hándicap e inclusión» (Octaedro, 2012), «Educación y esperanza en las fronteras de la discapacidad» (Cinca, 2014), «Sin suerte, pero guerrero hasta la muerte» (Octaedro, 2015), «Fracasso escolar e desvantagem sociocultural» (UOC, 2016), «Reconocer la diversidad» (Octaedro, 2018) e «Educación transcultural» (Síntesis, 2025).

María Teresa Rascón Gómez, Universidad de Málaga

Professora titular do Departamento de Teoria e História da Educação, Pedagogia Social e M.I.D.E. da Universidade de Málaga (Espanha). As suas principais linhas de investigação centram-se na educação inclusiva e nos processos de exclusão no âmbito escolar, na educação intercultural e na atenção à diversidade. Realizou várias estadias de investigação em instituições de reconhecido prestígio internacional, entre as quais se encontram a Open University e a University of Chester (Inglaterra), o Rensselaer Polytechnic Institute (Estados Unidos) e a Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Coimbra (Portugal). Possui uma vasta trajetória investigativa, refletida na coordenação e autoria de vários livros, capítulos de livros e artigos publicados em revistas científicas nacionais e internacionais. Entre as suas principais publicações destacam-se: A construção da identidade cultural numa perspetiva de género: o caso das mulheres marroquinas (SPICUM, 2007); A construção da identidade nos filhos de imigrantes marroquinos (Revista Española de Pedagogía, 2008); Da identidade do ser à pedagogia da diferença (Revista Interuniversitária de Teoria da Educação); Análise e propostas para uma nova Lei Educativa (Octaedro, 2020); Deficiência, estigma e sofrimento nas escolas. Narrativas emergentes pelo direito à educação inclusiva (Revista Educación XX1, 2024); e O papel da universidade na construção de sistemas educativos inclusivos: dificuldades, propostas e desafios (Octaedro, 2024).

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Publicado

30-12-2025

Como Citar

Calderón-Almendros, I., & Rascón Gómez, M. T. (2025). Narrativas Comprometidas com a Educação Inclusiva a partir da Voz dos Alunos. Desigualdades, Resistência e Ação Coletiva. Revista Latinoamericana De Educación Inclusiva, 19(2), 17–23. https://doi.org/10.4067/S0718-73782025000200017